Porque temos rinite alérgica?

Porque temos rinite alérgica?

Tal como o nome indica, a rinite alérgica (também conhecida como febre dos fenos) é desencadeada pelo contacto com determinados fatores alérgenos.

Mas afinal, como é que esta reação acontece?

Na primeira vez em que entra em contacto com o alergénio, o seu organismo não reage, porque ainda não o conhece. Então, antes de notar quaisquer sintomas da rinite alérgica, o seu corpo passa por uma fase de sensibilização, durante a qual memoriza o fator alergénico como um perigo.

Memorizado este fator, o seu sistema imunitário hipersensível passa a estar preparado para libertar uma quantidade elevada de anticorpos cada vez que deteta o alergénio. Esses anticorpos pertencem à lasse das imunoglobulinas E e, para combater o alergénio, eles fazem com que  histamina seja liberta (assim como outros químicos), levando então aos sintomas associados com a rinite alérgica.

Sabendo então como a rinite alérgica ocorre, surge uma segunda questão: que fatores podem levar à reação alérgica? A resposta varia de caso para caso, mas existe um grupo de alergénios geralmente associados a este tipo de rinite:

Pólen

O pólen é o alergénio mais comum da febre dos fenos e isso explica porque tantas pessoas sofrem com congestão nasal e espirros constantes durante as mudanças de estação (cerca de 40% da população europeia e 10% a 30% da população mundial). Existem vários tipos de pólen que podem desencadear uma reação alérgica (de ervas, árvores e arbustos) e, em Portugal, o período do ano em que se verifica uma maior concentração de pólen é de abril a julho.

Ácaros do pó da casa

Em toda e qualquer casa, existem insetos minúsculos, invisíveis a olho nu, que se alimentam de pó e humidade e que constituem o alergénio interior mais comum. Mesmo nas casas mais limpas: estes insetos são tão pequenos que a maior parte dos produtos que usamos para limpeza não são suficientes para os remover! Estes insetos chama-se ácaros e costumam encontrar-se nos nossos tapetes, colchões, cortinas, almofadas e roupa de cama. Como existem durante todo o ano, os ácaros do pó costumam causar rinite alérgica crónica. No entanto, a quantidade de ácaros tende a ser mais elevada durante os meses de inverno.

Já que estamos a falar de ácaros, existe outro alergénio dentro das nossas casas que pode levar aos sintomas da rinite alérgica: as baratas. Estas não são tão comuns como o ácaro, muito porque são perfeitamente visíveis a olho nu e, assim, mais fáceis de remover. No entanto, as baratas podem deixar para trás pequenas partículas e essas sim, podem desencadear a rinite.

Animais

Desde cães e gatos a pássaros, cavalos, coelhos e hamsters: diversos animais podem levar o organismo a libertar histamina e provocar os sintomas da rinite alérgica perene (visto que pode entrar em contacto com o animal em qualquer região e altura do ano).

É importante referir que este tipo de rinite alérgica é geralmente causada pelo pelo, suor ou saliva do animal. A boa notícia é que isto não significa necessariamente que não pode ter um animal de estimação. O segredo está em aprender como gerir a sua doença, evitando passar muito tempo na mesma divisão que o animal, limpando a casa mais frequentemente e tendo áreas da casa onde o animal não pode estar.

Alimentação

A alimentação não costuma causar a rinite alérgica; contudo, é perfeitamente normal que, após consumir certos alimentos, os seus sintomas piorem. Assim, é bastante útil saber que alimentos e bebidas deve evitar nos períodos em que a sua rinite “ataca” em força:

  • Café: com a presença de elevada quantidade de xantinas, que podem estimular a produção de histamina. Visto que o problema da rinite alérgica é a produção demasiado elevada de histamina pelo sistema imunitário, torna-se clara a razão por que café e rinite não combinam bem. Opte antes por chás sem xantinas.
  • Lacticinios e bebidas alcoólicas (nomeadamente, cerveja e vinho): são ricos em histamina e/ou interferem no metabolismo da mesma (promovem um aumento da libertação de histamina).
  • Alimentos com aditivos: quer estejamos a falar de corantes artificiais, conservantes ou qualquer outro aditivo, todas estas substâncias podem agravar os sintomas da rinite. 
  • Nozes, cajus, espinafres, beringela, kombucha, vegetais fermentados, vinagre, tomates: apesar de saudáveis, todos estes alimentos são ricos em histamina e/ou interferem no metabolismo da mesma (promovem um aumento da libertação de histamina).

Saber qual é a causa por trás da sua rinite alérgica é essencial para conseguir evitar que os seus sintomas aconteçam com tanta frequência. Não se esqueça de prestar atenção às condições em que a sua rinite costuma acontecer e de falar com o seu médico para aprender como lidar com a doença da melhor maneira.